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quarta-feira, 13 de março de 2013

Habemus Papam!

Foto: www.vatican.va
Temos Papa!  Às 20hs12min do dia 13 de março de 2013 (horário lá no Vaticano), ouvimos o anúncio no balcão Central da Basílica de São Pedro:

"Annuntio vobis gaudium magnum: habemus Papam!”

“Eminentissimum ac reverendissimum dominum, dominum, Georgium Marium Sanctae Romanae Ecclesiae Cardinalem Bergoglio, qui sibi nomen imposuit Franciscum.

O nosso novo Papa é o Cardeal Arcebispo de Buenos Aires, o jesuíta Jorge Mario Bergoglio, 76 anos e adotou o nome de Francisco. Foi eleito no 5° escrutínio no segundo dia do Conclave.

Suas primeiras palavras, na Bênção Apostólica "Urbi et Orbi":

Irmãos e irmãs, boa noite!

Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os meus irmãos Cardeais tenham ido buscá-lo quase ao fim do mundo… Eis-me aqui! Agradeço-vos o acolhimento: a comunidade diocesana de Roma tem o seu Bispo. Obrigado! E, antes de mais nada, quero fazer uma oração pelo nosso Bispo emérito Bento XVI. Rezemos todos juntos por ele, para que o Senhor o abençoe e Nossa Senhora o guarde. (...)

(...) E agora iniciamos este caminho, Bispo e povo... este caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade. Um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós. Rezemos sempre uns pelos outros. Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade. Espero que este caminho de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o meu Cardeal Vigário, aqui presente, seja frutuoso para a evangelização desta cidade tão bela!

E agora quero dar a Bênção, mas antes… antes, peço-vos um favor: antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. Façamos em silêncio esta oração vossa por mim. (...)

Em seguida, pronunciou a Bênção e despediu-se do povo presente:

Irmãos e irmãs, tenho de vos deixar. Muito obrigado pelo acolhimento! Rezai por mim e até breve! Veremos-nos em breve: amanhã quero ir rezar aos pés de Nossa Senhora, para que guarde Roma inteira. Boa noite e bom descanso!

Confiando na proteção e escolha da Virgem Maria, Mãe da Igreja, peço em minhas orações toda a força e sabedoria do Espírito Santo para a vida do novo Papa, para que ele enfrente com coragem a grande missão de guiar a Santa Igreja nestes tempos de mares agitados e decisões difíceis!

Fonte: Radio Vaticana/ Site do Vaticano

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Vamos sentir saudades, Bento XVI!


Naquele dia 19 de abril de 2005, eu morava em Curvelo/MG e estava ainda profundamente triste pela perda de um grande amigo: João Paulo II. Quando vi o brasão do Cardeal Ratzinger - Papa Bento XVI - sendo baixado na janela da Praça São Pedro, pensei:

- "Certamente, não será o Papa mais simpático, mas, a Virgem Maria escolhe bem os seus filhos, ele será firme para guardar o Depósito da Fé neste tempo de mar tão tempestuoso."

Então, dois anos depois, um grande presente que jamais esquecerei foi o convite para o Encontro de Jovens no Pacaembu (10/05/2007), gentilmente cedido a mim por D. Nelson Westrupp, nosso Bispo Diocesano de Santo André. Neste dia, descobri que por trás de um rosto tímido e sisudo, havia um Papa que claramente mostrava um enorme carinho pelos seus jovens e pelo povo brasileiro. Sorria, acenava, quebrava todos os protocolos, abençoava a multidão a cada vez que passava pela janela do Mosteiro de São Bento, deixava a segurança apavorada ao abaixar os vidros do papamóvel... 

Sua mensagem forte e apaixonada, dizia-nos: 


"(..)Meu apelo de hoje, a vós jovens, que viestes a este encontro, é que não desperdiceis vossa juventude. Não tenteis fugir dela. Vivei-a intensamente! Consagrai-a aos elevados ideais da fé e da solidariedade humana! Vós, jovens, não sois apenas o futuro da Igreja e da humanidade, como uma espécie de fuga do presente. Pelo contrário: vós sois o presente jovem da Igreja e da humanidade. Sois seu rosto jovem. A Igreja precisa de vós, como jovens, para manifestar ao mundo o rosto de Jesus Cristo, que se desenha na comunidade cristã. Sem o rosto jovem a Igreja se apresentaria desfigurada! (...)"  


Agora, sentirei saudade deste amigo alemão, tímido, mas todo coração com seus filhos; com sabedoria e pulso forte, para dizer o sim e o não na hora certa. Ele conduziu a Barca de Pedro nos últimos 8 anos, sem permitir que as ondas do mar a agitassem. O que mais eu poderia dizer? Obrigada mais uma vez, Bento XVI!

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AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013



Queridos irmãos e irmãs,

No dia dezenove de abril de dois mil e cinco, quando abracei o ministério petrino, disse ao Senhor: «É um peso grande que colocais aos meus ombros! Mas, se mo pedis, confiado na vossa palavra, lançarei as redes, seguro de que me guiareis». E, nestes quase oito anos, sempre senti que, na barca, está o Senhor; e sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas do Senhor. Entretanto não é só a Deus que quero agradecer neste momento. Um Papa não está sozinho na condução da barca de Pedro, embora lhe caiba a primeira responsabilidade; e o Senhor colocou ao meu lado muitas pessoas que me ajudaram e sustentaram. Porém, sentindo que as minhas forças tinham diminuído, pedi a Deus com insistência que me iluminasse com a sua luz para tomar a decisão mais justa, não para o meu bem, mas para o bem da Igreja. Dei este passo com plena consciência da sua gravidade e inovação, mas com uma profunda serenidade de espírito.
* * *
Amados peregrinos de língua portuguesa, agradeço-vos o respeito e a compreensão com que acolhestes a minha decisão. Continuarei a acompanhar o caminho da Igreja, na oração e na reflexão, com a mesma dedicação ao Senhor e à sua Esposa que vivi até agora e quero viver sempre. Peço que vos recordeis de mim diante de Deus e sobretudo que rezeis pelos Cardeais chamados a escolher o novo Sucessor do Apóstolo Pedro. Confio-vos ao Senhor, e a todos concedo a Bênção Apostólica.
(Retirado do site do Vaticano)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O último Angelus do Papa Bento XVI

Foto: cancaonova.com
Queridos irmãos e irmãs! 
 Obrigada pelo vosso carinho!
 Hoje, segundo domingo da Quaresma, temos um Evangelho particularmente belo, o da Transfiguração do Senhor. O evangelista Lucas particularmente ressalta fato de que Jesus se transfigurou enquanto orava: a oração de Jesus é uma profunda experiência de relacionamento com o Pai durante uma espécie de retiro espiritual que Jesus vive em uma alta montanha na companhia de Pedro, Tiago e João , esses três discípulos sempre presentes nos momentos de manifestação divina do Mestre (Lucas 5:10, 8,51, 9,28). O Senhor, que pouco antes havia predito sua morte e ressurreição (9:22), oferece a seus discípulos uma antecipação da sua glória. E na Transfiguração, como no batismo, ressoa a voz do Pai Celeste, "Este é o meu Filho, o Eleito ouvi-lo" (9:35). A presença de Moisés e Elias, representando a Lei e os Profetas da Primeira Aliança, é muito significativa: toda a história da Aliança é orientada para Ele, o Cristo, que nos traz um "êxodo" novo (9:31) , não para uma terra prometida, como no tempo de Moisés, mas para o Céu. A intervenção de Pedro: "Mestre, é bom estarmos aqui" (9.33) representa a tentativa impossível de parar esta experiência mística. Santo Agostinho diz: "[Pedro] ... Sobre a montanha ... tinha Cristo como o alimento da alma. Por que ele iria descer para voltar aos trabalhos e dores, se lá estava repleto de sentimentos de amor santo de Deus e que o inspirava a uma conduta santa?"(Discurso 78,3: PL 38,491). 

 Meditando sobre esta passagem do Evangelho, podemos tirar um ensinamento muito importante. Primeiro, a primazia da oração, sem a qual todo o empenho do apostolado e da caridade é reduzido ao ativismo. Na Quaresma, aprendemos a dar um tempo justo para a oração, pessoal e comunitária, que trazem o alento para a nossa vida espiritual. Além disso, orar não é isolar-se do mundo e suas contradições, como Pedro queria fazer no Tabor, a oração reconduz para o caminho, à ação. "A existência cristã – como escrevi na Mensagem para a Quaresma – consiste num contínuo subir ao monte onde encontro com Deus, e descer de volta trazendo o amor e a força que provém Dele, a fim de servir nossos irmãos e irmãs com o mesmo amor de Deus "(n. 3). 

 Queridos irmãos e irmãs, esta Palavra de Deus eu a sinto particularmente dirigida a mim, neste momento da minha vida. Obrigado! O Senhor chamou-me a "subir a montanha", para me dedicar ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja, de fato, se Deus me pede isso é apenas para que eu possa continuar a servir com a mesma dedicação e o mesmo amor com que eu tentei fazer até agora, mas de um modo mais adequado para a minha idade e minhas forças. Invoquemos a intercessão da Virgem Maria, ela sempre nos ajude a seguir o Senhor Jesus em oração e obras de caridade.
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 Queridos peregrinos de língua portuguesa que viestes rezar comigo o Angelus: obrigado pela vossa presença e todas as manifestações de afeto e solidariedade, em particular pelas orações com que me estais acompanhando nestes dias. Que o bom Deus vos cumule de todas as bênçãos! 

 Texto retirado do site do Vaticano, tradução de Taís (desculpem-me qualquer falha).

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Obrigada, Bento XVI!

Apesar de curto, o pontificado de Bento XVI foi marcado por muita fortaleza e sabedoria. Deixemos o julgamento e as comparações de lado e somente sejamos gratos pelo tempo que ele ficou conosco à frente da Santa Igreja...


Caríssimos Irmãos,

convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sé de Roma, a sé de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.
Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

BENEDICTUS PP XVI

(Retirado de Rádio Vaticana, 11/02/13)






sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cristianismo, “mais do que uma moral ou uma ética, é um acontecimento de amor”



Bento XVI afirmou durante a catequese de 14/11/2012, no Vaticano, que o Cristianismo é mais do que uma “ética” ou conjunto de"crenças", alertando para as consequências do que definiu como “ateísmo prático” na sociedade.

“Muitos têm uma concepção limitada da fé cristã, porque a identificam com um mero sistema de crenças e de valores e não tanto com a verdade de um Deus que se revelou na história, desejoso de comunicar com o homem diretamente, numa relação de amor”, disse o Papa, na audiência pública semanal que decorreu na sala Paulo VI.

Segundo Bento XVI, o Cristianismo, “mais do que uma moral ou uma ética, é um acontecimento de amor”, na relação com a “pessoa de Jesus”.

“Há, de fato, uma forma de ateísmo que definimos como ‘prático’, no qual não se negam a verdade da fé ou os ritos religiosos, mas simplesmente se consideram irrelevantes para a existência cotidiana”, precisou.
Bento XVI defende que este viver ‘como se Deus não existisse’ acaba por ser “ainda mais destruidor” do que a recusa do divino, “porque leva à indiferença em relação à fé e à questão de Deus”.

O Papa destacou que a crítica à religião se “intensificou” desde o Iluminismo e que a história recente da humanidade está marcada pela “presença de sistemas ateístas, nos quais Deus era considerado uma mera projeção do espírito humano, uma ilusão e o produto de uma sociedade já falseada por tantas alienações”.

“O século passado conheceu, depois, um forte processo de secularismo, em nome da autonomia absoluta do homem, considerado como medida e artífice da realidade, mas empobrecido do seu ser criatura ‘à imagem e semelhança de Deus’”, acrescentou.

Em português, Bento XVI disse que “o homem traz consigo um irreprimível desejo de Deus”, pelo que é necessário “ver as vias” que levam ao seu conhecimento, resumidas em três palavras: “o mundo, o homem e a fé”.

“Numa sociedade em que o ateísmo, ceticismo e indiferentismo não cessam de questionar e pôr à prova a fé, é importante afirmar que existem sinais que abrem o coração do homem e o levam para Deus”, declarou.

Lembrando que no passado, num Ocidente tido como cristão, “a fé era o ambiente que as pessoas se moviam”, a intervenção papal destacou que hoje “a situação mudou e cada vez mais os crentes têm de ser capazes de dar razões da sua fé”.

O Papa afirmou que é possível ver “uma inteligência, que é Deus”, na beleza e estrutura da criação, e também no “íntimo” de cada um, descobrindo a “sede de infinito” que impele a “avançar cada vez mais na direção de Deus”.

“Neste Ano da Fé, procurai conhecer mais Cristo, único caminho verdadeiro que conduz a Deus, para poder depois transmitir aos demais a alegria desse encontro transformador. Possa Ele iluminar e abençoar as vossas vidas”, disse Bento XVI aos peregrinos de língua portuguesa.

Adaptado de Agência Ecclesia, Portugal.

domingo, 14 de outubro de 2012

Homilia do Papa Bento XVI por ocasião da abertura do Ano da Fé




HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Praça de São Pedro
Quinta-feira, 11 de Outubro de 2012


Venerados Irmãos,
Queridos irmãos e irmãs!

Hoje, com grande alegria, 50 anos depois da abertura do Concílio Vaticano II, damos início ao Ano da fé. Tenho o prazer de saudar a todos vós, especialmente Sua Santidade Bartolomeu I, Patriarca de Constantinopla, e Sua Graça Rowan Williams, Arcebispo de Cantuária. Saúdo também, de modo especial, os Patriarcas e Arcebispos Maiores das Igrejas Orientais católicas, e os Presidentes das Conferências Episcopais. Para fazer memória do Concílio, que alguns dos aqui presentes – a quem saúdo com afeto especial - tivemos a graça de viver em primeira pessoa, esta celebração foi enriquecida com alguns sinais específicos: a procissão inicial, que quis recordar a memorável procissão dos Padres conciliares, quando entraram solenemente nesta Basílica; a entronização do Evangeliário, cópia daquele que foi utilizado durante o Concílio; e a entrega dassete mensagens finais do Concílio e do Catecismo da Igreja Católica, que realizarei no termo desta celebração, antes da Bênção Final. Estes sinais, não nos fazem apenas recordar, mas também nos oferecem a possibilidade de ir além da comemoração. Eles nos convidam a entrar mais profundamente no movimento espiritual que caracterizou o Vaticano II, para que se possa assumi-lo e levá-lo adiante no seu verdadeiro sentido. E este sentido foi e ainda é a fé em Cristo, a fé apostólica, animada pelo impulso interior que leva a comunicar Cristo a cada homem e a todos os homens, no peregrinar da Igreja nos caminhos da história.
O Ano da fé que estamos inaugurando hoje está ligado coerentemente com todo o caminho da Igreja ao longo dos últimos 50 anos: desde o Concílio, passando pelo Magistério do Servo de Deus Paulo VI, que proclamou um "Ano da Fé", em 1967, até chegar ao o Grande Jubileu do ano 2000, com o qual o Bem-Aventurado João Paulo II propôs novamente a toda a humanidade Jesus Cristo como único Salvador, ontem, hoje e sempre. Entre estes dois Pontífices, Paulo VI e João Paulo II, houve uma profunda e total convergência na visão de Cristo como o centro do cosmos e da história, e no ardente desejo apostólico de anunciá-lo ao mundo. Jesus é o centro da fé cristã. O cristão crê em Deus através de Jesus Cristo, que nos revelou a face de Deus. Ele é o cumprimento das Escrituras e seu intérprete definitivo. Jesus Cristo não é apenas o objeto de fé, mas, como diz a Carta aos Hebreus, é aquele «que em nós começa e completa a obra da fé» (Hb 12,2).
O Evangelho de hoje nos fala que Jesus Cristo, consagrado pelo Pai no Espírito Santo, é o verdadeiro e perene sujeito da evangelização. «O Espírito do Senhor está sobre mim, / porque ele me consagrou com a unção / para anunciar a Boa-Nova aos pobres» (Lc 4,18). Esta missão de Cristo, este movimento, continua no espaço e no tempo, ao longo dos séculos e continentes. É um movimento que parte do Pai e, com a força do Espírito, impele a levar a Boa-Nova aos pobres, tanto no sentido material como espiritual. A Igreja é o instrumento primordial e necessário desta obra de Cristo, uma vez que está unida a Ele como o corpo à cabeça. «Como o Pai me enviou, também eu vos envio» (Jo 20,21). Estas foram as palavras do Senhor Ressuscitado aos seus discípulos, que soprando sobre eles disse: «Recebei o Espírito Santo» (v. 22). O sujeito principal da evangelização do mundo é Deus, através de Jesus Cristo; mas o próprio Cristo quis transmitir à Igreja a missão, e o fez e continua a fazê-lo até o fim dos tempos infundindo o Espírito Santo nos discípulos, o mesmo Espírito que repousou sobre Ele, e n’Ele permaneceu durante toda a vida terrena, dando-lhe a força de «proclamar a libertação aos cativos / e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor» (Lc 4,18-19).
O Concílio Vaticano II não quis colocar a fé como tema de um documento específico. E, no entanto, o Concílio esteve inteiramente animado pela consciência e pelo desejo de ter que, por assim dizer, imergir mais uma vez no mistério cristão, para poder propô-lo novamente e eficazmente para o homem contemporâneo. Neste sentido, o Servo de Deus Paulo VI, dois anos depois da conclusão do Concílio, se expressava usando estas palavras: «Se o Concílio não trata expressamente da fé, fala da fé a cada página, reconhece o seu caráter vital e sobrenatural, pressupõe-na íntegra e forte, e estrutura as suas doutrinas tendo a fé por alicerce. Bastaria recordar [algumas] afirmações do Concílio (...) para dar-se conta da importância fundamental que o Concílio, em consonância com a tradição doutrinal da Igreja, atribui à fé, a verdadeira fé, que tem a Cristo por fonte e o Magistério da Igreja como canal» (Catequese na Audiência Geral de 8 de março de 1967). Até aqui, a citação de Paulo VI, em 1967.
Agora, porém, temos de voltar para aquele que convocou o Concílio Vaticano II e que o inaugurou: o Bem-Aventurado João XXIII. No Discurso de Abertura, ele apresentou a finalidade principal do Concílio usando estas palavras: «O que mais importa ao Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz. (...) Por isso, o objetivo principal deste Concílio não é a discussão sobre este ou aquele tema doutrinal... Para isso, não havia necessidade de um Concílio... É necessário que esta doutrina certa e imutável, que deve ser fielmente respeitada, seja aprofundada e apresentada de forma a responder às exigências do nosso tempo» (AAS 54 [1962], 790791-792). Até aqui, a citação do Papa João XIII, na inauguração do Concílio.
À luz destas palavras, entende-se aquilo que eu mesmo pude então experimentar: durante o Concílio havia uma tensão emocionante, em relação à tarefa comum de fazer resplandecer a verdade e a beleza da fé no hoje do nosso tempo, sem sacrificá-la frente às exigências do presente, nem mantê-la presa ao passado: na fé ecoa o eterno presente de Deus, que transcende o tempo, mas que só pode ser acolhida no nosso hoje, que não torna a repetir-se. Por isso, julgo que a coisa mais importante, especialmente numa ocasião tão significativa como a presente, seja reavivar em toda a Igreja aquela tensão positiva, aquele desejo ardente de anunciar novamente Cristo ao homem contemporâneo. Mas para que este impulso interior à nova evangelização não seja só um ideal e não peque de confusão, é necessário que ele se apoie sobre uma base de concreta e precisa, e esta base são os documentos do Concílio Vaticano II, nos quais este impulso encontrou a sua expressão. É por isso que repetidamente tenho insistido na necessidade de retornar, por assim dizer, à «letra» do Concílio - ou seja, aos seus textos - para também encontrar o seu verdadeiro espírito; e tenho repetido que neles se encontra a verdadeira herança do Concílio Vaticano II. A referência aos documentos protege dos extremos tanto de nostalgias anacrônicas como de avanços excessivos, permitindo captar a novidade na continuidade. O Concílio não excogitou nada de novo em matéria de fé, nem quis substituir aquilo que existia antes. Pelo contrário, preocupou-se em fazer com que a mesma fé continue a ser vivida no presente, continue a ser uma fé viva em um mundo em mudança.
Se nos colocarmos em sintonia com a orientação autêntica que o Bem-Aventurado João XXIII queria dar ao Vaticano II, poderemos atualizá-la ao longo deste Ano da Fé, no único caminho da Igreja que quer aprofundar continuamente a «bagagem» da fé que Cristo lhe confiou. Os Padres conciliares queriam voltar a apresentar a fé de uma forma eficaz, e se quiseram abrir-se com confiança ao diálogo com o mundo moderno foi justamente porque eles estavam seguros da sua fé, da rocha firme em que se apoiavam. Contudo, nos anos seguintes, muitos acolheram acriticamente a mentalidade dominante, questionando os próprios fundamentos do depositum fidei a qual infelizmente já não consideravam como própria diante daquilo que tinham por verdade.
Se a Igreja hoje propõe um novo Ano da fé e a nova evangelização, não é para prestar honras a uma efeméride, mas porque é necessário, ainda mais do que há 50 anos! E a resposta que se deve dar a esta necessidade é a mesma desejada pelos Papas e Padres conciliares e que está contida nos seus documentos. Até mesmo a iniciativa de criar um Concílio Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização – ao qual agradeço o empenho especial para o Ano da fé – enquadra-se nessa perspectiva. Nos últimos decênios tem-se visto o avanço de uma "desertificação" espiritual. Qual fosse o valor de uma vida, de um mundo sem Deus, no tempo do Concílio já se podia perceber a partir de algumas páginas trágicas da história, mas agora, infelizmente, o vemos ao nosso redor todos os dias. É o vazio que se espalhou. No entanto, é precisamente a partir da experiência deste deserto, deste vazio, que podemos redescobrir a alegria de crer, a sua importância vital para nós homens e mulheres. No deserto é possível redescobrir o valor daquilo que é essencial para a vida; assim sendo, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente. E no deserto existe, sobretudo, necessidade de pessoas de fé que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo assim viva a esperança. A fé vivida abre o coração à Graça de Deus que liberta do pessimismo. Hoje, mais do que nunca, evangelizar significa testemunhar uma vida nova, transformada por Deus, indicando assim o caminho. A primeira Leitura falava da sabedoria do viajante (cf. Eclo 34,9-13): a viagem é uma metáfora da vida, e o viajante sábio é aquele que aprendeu a arte de viver e pode compartilhá-la com os irmãos - como acontece com os peregrinos no Caminho de Santiago, ou em outros caminhos de peregrinação que, não por acaso, estão novamente em voga nestes últimos anos. Por que tantas pessoas hoje sentem a necessidade de fazer esses caminhos? Não seria porque neles encontraram, ou pelo menos intuíram o significado do nosso estar no mundo? Eis aqui o modo como podemos representar este Ano da fé: uma peregrinação nos desertos do mundo contemporâneo, em que se deve levar apenas o que é essencial: nem cajado, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas - como o Senhor exorta aos Apóstolos ao enviá-los em missão (cf. Lc 9,3), mas sim o Evangelho e a fé da Igreja, dos quais os documentos do Concílio Vaticano II são uma expressão luminosa, assim como é o Catecismo da Igreja Católica, publicado há 20 anos.
Venerados e queridos irmãos, no dia 11 de outubro de 1962, celebrava-se a festa de Santa Maria, Mãe de Deus. A Ela lhe confiamos o Ano da fé, tal como fiz há uma semana, quando fui, em peregrinação, a Loreto. Que a Virgem Maria brilhe sempre qual estrela no caminho da nova evangelização. Que Ela nos ajude a pôr em prática a exortação do Apóstolo Paulo: «A palavra de Cristo, em toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros, com toda a sabedoria... Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus. Por meio dele dai graças a Deus Pai» (Col 3,16-17). Amém.